• Operação Resgate Brasil

O jovem pro amanhã

Estando certos de que pensar o futuro é um de nossos maiores presentes, bem como um de nossos maiores desafios, o que nos leva a refletir sobre isso? Primeiro, quando nos deparamos com a necessidade de transformar nossa realidade (o sonho), esbarramos em um ponto de reflexão crucial: se queremos modificar essa realidade, como podemos fazer e (o mais importante) onde queremos chegar? A importância da nossa caminhada parte da significação real, dura e concreta sobre esse sonhado fim.



Nossos sonhos, enquanto Organização, almejam uma realidade futura igualitária, ecológica, sem violência, sem desigualdades sociais, de gênero e de raça, e o nosso trabalho para que essa realidade seja possível é com crianças e jovens pelo mundo.

No Brasil, a realidade desses jovens é bastante adversa devido a dimensão continental do país. Segundo dados da pesquisa Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2021, desenvolvi- do pela Fundação Abrinq, o Brasil tem 69,8 milhões de crianças e adolescentes entre zero e 19 anos de idade, o que representa 33% da população total do país. Desses, 45,4% de crianças de 0 a 14 anos vivem em situação de pobreza.


Não devemos, de fato, retirar da nossa reflexão o papel da dedicação, da busca e da vontade de se fazer diferente, mas não podemos compactuar com a concepção de que por mérito único dessa dedicação os sonhos estão automaticamente predispostos a se tornarem realidade. Se assim fizermos, desconsideramos toda a desigualdade de oportunidade existente no país. Pense conosco: um jovem periférico, que trabalha desde os 10 anos, que frequenta a escola nos horários vagos e que compreende o ambiente escolar como um espaço de alimentação/merenda (mais do que um espaço possível de transformação de sua vida) tem a mesma possibilidade de tempo e energia do que um jovem de classe média que tem os estudos como prioridade (pelo caráter educacional) e que ocupa suas horas vagas com aulas de inglês e atividade esportiva?


Dessa forma, retomamos a pergunta: qual nosso papel enquanto sociedade? Como falamos no início, sonhar é, em primeira instância, tomar o presente como ponto de partida, tentando entender suas complexidades e suas raízes. Se ao nosso sonho compete uma sociedade engajada em sua transformação, com jovens se educando ecologicamente, socialmente, politicamente e socialmente, precisamos entender o que nos impede e nos distancia desse horizonte. A transformação está também no confronto as raízes dos problemas. Por isso demandamos uma mudança também no nosso comportamento coletivo, nos nossos valores.


Transformar os valores nos coloca para pensar mais em coletivo, ter mais disciplina, nos engajarmos em causas sociais que lutam pelos direitos de jovens periféricos, por pessoas em situação de rua, pelos direitos das mulheres, entre outros. Para que os jovens construam um amanhã diferente, precisamos garantir acessos básicos no hoje. Nossos jovens precisam exercer sua liberdade de criação, sua criatividade, precisam experimentar vontades, errar acertar e errar de novo, precisam entender que não há um caminho certo ou uma possibilidade única, existem caminhos, existem maneiras. Precisam apreciar a vida na sua grandeza amadurecedora.

Nós, sociedade, precisamos incentivar as nossas crianças a sonhar. Porém, incentivar com consciência. Apresentar as dificuldades da caminhada, não falsear facilidades e méritos irreais.

Temos que adotar novas posturas, novos valores, como empatia, comunhão, coletividade, entre outros e nos tornar exemplos vivos dos sujeitos que queremos em sociedade. Só assim, formaremos cada vez mais crianças, adolescentes e jovens engajados, conscientes de seus papeis e prontos para continuar a nossa luta e mudar os rumos do mundo.





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